Quinta-feira, 20 de Dezembro de 2007

O DES-ENCONTRO DO EU MESMO.


O maior desencontro que pode existir é o desencontro de nós mesmo. Quando a busca por nós termina nos outros.

Sendo, algumas vezes, as palavras reticentes, restam-nos apenas as formulações dos sofismas pessoais.

Alguém pode afirmar: Eis ai um homem angustiado, pessimista, ou melancólico. Sim, até posso absorver este tipo de afirmação, entretanto digo aos que assim afirmam que sou feliz. Uma felicidade lúdica, pueril, quase corporativa, pois aqueles que me rodeiam, e sofisticamente, me chamam de amigo alegram-se com toda a sensação de alegria, quase infantil, que posso oferecer-lhes. Lamentavelmente, a lógica, não me permite este tipo de preposição, pois lhe parece um tanto falaciosa. Mas quem é que pode entender a lógica do coração? Quem pode traçar as preposições dos sentimentos?

Mas o que é felicidade, senão a busca deste encontro kierkegaardiano, consigo mesmo?

Atribuo-me o conceito do feliz entristecido no caminho do desencontro.

Seria isto a ausência de Deus? Não. Nunca a minha concepção do Divino esteve tão sacramentalizado no meu interior. Nunca me senti tão nu e impotente diante do Sagrado, divinizado, pela comunhão. Isto acontece com uma intensidade atômica, à medida que me conscientizo das fraquezas que cerceiam a minha humanidade, fraquezas, essas, que foram ocultadas, pela religião institucional, das massas, que criara em mim um senso de pseudo-santidade, que me angustiava, à medida que o sagrado tornava-se insuportável para mim, haja vista minha condição de pecador.

Concluo dizendo que, quanto mais me sinto um desgraçado, mais começo uma nova caminhada em direção a Deus.

Não, não me falta Deus. Falta-me humanidade.

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